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março 4, 2011

Como será que caímos numa cousa dessas?

janeiro 1, 2011

Vanity Card #1

Vanity Cards são uma invenção do Chuck Lorre [citation needed], aquele das séries, sabe? No final de todos os episódios das séries que ele é diretor/produtor executivo aparece por alguns décimos de segundos uma tela branca com algumas coisas escritas, você já deve ter visto. Essa tela branca com coisas escritas é o tal do Vanity Card, e foi um meio que o Chuckie encontrou de espalhar suas ideias por aí. Para ver os tais VCs antigamente era necessário gravar o episódio em VHS e depois pausar na hora exata, mas hoje você pode vê-los pela internet, ou usar seu NET HD MAX para pausar bem na hora do cartão. E aqui vai a minha primeira tentativa.

 

 

VC #1

Não estou nem aí para a posse da Dilma. Acho que quem está ligando demais quer parecer politizado. Não gosto de gente politizada demais. Acho que isso é herança dos anos 60. Acho que a maioria das pessoas que se acham bastiões da democracia não teriam coragem de se opor à ditadura militar. Acho que ser bastião da democracia em tempos de democracia é fácil. Acho que a Dilma tem crédito por ter lutado contra a ditadura, “se alguém atirasse no Hitler não seria golpista, seria herói”. Acho que as pessoas se sentem obrigadas a gostar de política, assim como se acham obrigadas a gostar de Beatles. Acho que a maioria das pessoas da minha faixa etária não lembra de todos os candidatos em que votou (eu admito que não lembro).

novembro 16, 2010

Resenha: 2001: Uma Odisséia no Espaço

Odisseia era um filme que eu queria ver fazia tempo. Eu pesquisei sobre ele, sobre como Kubrick e Clarke escreveram o roteiro juntos, sobre as influências que o filme teve na cultura popular, sobre os prêmios que recebeu… assistir a ele tinha virado uma espécie de objetivo. Eu falava sobre o filme com quem estivesse ouvindo, e às vezes até com quem não estivesse com muita paciência para ouvir minhas verborragias sobre “a cena da morte de HAL”, mas havia um pequeno problema: eu nunca tinha visto o filme; até domingo.

Finalmente criei vergonha na cara, fui à locadora e peguei o filme. Fiquei namorando a capa, esperando pela hora certa de colocar o DVD e ver se a experiência de assistir àquela obra prima seria de fato tão satisfatória quanto eu estava esperando. Posso dizer que sim, o filme é muito bom mesmo. Tentei o máximo o possível não ficar procurando referências a Platão ou Nietzsche e simplesmente aproveitar o filme como se fosse alguma coisa que estava passando na Sessão da Tarde, deu certo. Sem a massagem intelectual o filme foi para mim o que eu acho que Kubrick queria que fosse: uma viagem pelas cores e formas incríveis, complementada pela sensação de miudeza dos seres humanos frente ao Universo (com maiúscula).

A alvorada do homem

A primeira parte do filme apresenta um grupo de símios vivendo há 4 milhões de anos, tentando sobreviver no meio hostil que era o ambiente africano. Após serem expulsos de uma fonte de água por outro grupo de primatas, eles acordam para descobrir um estranho monolito em frente do lugar aonde dormiam; após encostar no grande prisma preto, o grupo de macacos desenvolve a habilidade de utilizar ferramentas, e usam ossos como armas para reaver o controle do lago, e ter um suprimento de água para eles; e aí já aparece um dos motivos pelo qual o filme é apreciado como um dos melhores já feitos, um corte que pula 4 milhões de anos para o futuro, chegando ao presente, comparando o osso que o macaco primitivo utiliza como ferramenta aos satélites dos humanos atuais.

TMA-1

A segunda parte é a primeira a apresentar um diálogo, é uma característica do filme o parco uso de falas, o que contribui para a sensação de isolamento e enormidade do Universo. Neste trecho do filme é contado como um monolito igual ao que deu aos primatas a habilidade de usar ferramentas a seu favor, e assim originou a humanidade, foi descoberto na Lua. Durante uma visita de cientistas ao sítio de escavação o artefato envia uma transmissão na direção de Júpiter, o que instiga o governo americano a enviar uma missão tripulada até o planeta para investigar o que seria o primeiro indício de vida inteligente extraterrestre. Neste capítulo já é possível perceber as cores e formas lindas que compõe o filme, como Kubrick disse, “é basicamente uma experiência não-verbal, visual”.

O filme ainda conta com mais dois atos, mas não vou estragar a surpresa. Recomendo para quem é como eu e gosta da sensação de ser a única pessoa acordada no mundo (se você sabe do que eu estou falando, é para você). Filme lindo.

outubro 23, 2010

Pós escassez e escassez forçada

Pós-escassez é um termo fundado na ficção científica que designa um estágio na sociedade em que existe abundância de recursos (inteligência, energia, matéria prima) aliada a trabalho automatizado, o que permite que tudo seja de graça, ou praticamente de graça. E isso já existe.

Mas existe um problema: vivemos em um mundo capitalista, e quanto mais coisas atingirem o patamar da pós escassez, mais perto o mundo estará de uma crise econômica insuperável, afinal, se tudo for dado, as empresas não terão lucro, e terão que demitir seus funcionários, no melhor estilo bola-de-neve dos anos de 1930. Só que ao mesmo tempo é benéfico para uma empresa desenvolver produtos cada vez mais baratos para ganhar de sua concorrência, e com tecnologias cada vez mais avançadas para produção em massa a lei da oferta e procura tende a jogar os preços para baixo. Como salvar a economia mundial então? Reduzindo a oferta do que é infinito, e cobrando por coisas que você poderia ter de graça.

Bibliotecas públicas emprestam livros de graça para as pessoas, o que não causa resistência das editoras porque até bibliotecas tem que comprar os livros que emprestam, e de tempos em tempos repor os que rasgam, se perdem, ou ficam velhos. Mas foi inventado um super livro, um que nunca se perde, nunca rasga, nunca fica velho, e não custa nada pra produzir. É um livro Pós-esscassez. E o próximo passo foi, claro, fazer com que ele voltasse a ser escasso, e assim os e-livros não podem ser copiados, e se auto-deletam algum tempo depois que a biblioteca os comprou da editora. Mas se são só arquivos de computador, não existe mais a necessidade de uma editora, ou de várias cópias, ou até mesmo da venda, o custo de produção daquilo foi virtualmente zero. Mas caso a nova geração de livros fosse completamente de graça toda uma indústria e seus milhões de empregados iriam desaparecer. E os livros são só um exemplo; faz muito tempo que pagamos por coisas que poderiam ser grátis, ou muito mais baratas, incluindo água engarrafada, software, e quase tudo que é virtual. Mas a verdade é que quase todo o trabalho feito no mundo poderá ser substituído por mão de obra robótica, e logo todos os trabalhadores do mundo estarão dependendo da escassez forçada de sua força de trabalho, ou então perderão seus salários. mas quem sabe num mundo aonde ninguém trabalha, e tudo é de graça as cabeças pensantes de nossa sociedade não desenvolvem um sistema sócio econômico que se adeque melhor à essa situação que o capitalismo?

*praticamente surrupiado de: http://www.cracked.com/article_18817_5-reasons-future-will-be-ruled-by-b.s..html

textos complementares: http://www.maximumpc.com/article/howtos/how_use_your_windows_7_upgrade_disk_fresh_pchttp://www.engadget.com/2010/09/18/intel-wants-to-charge-50-to-unlock-stuff-your-cpu-can-already-d/

outubro 7, 2010

Abaixo os -ismos

A divisão do mundo entre “nós” e “eles”, que acontece em quase todas as esferas da vida social, é uma barreira ao desenvolvimento de relações vantajosas entre as pessoas, e foi a causa de praticamente todos os conflitos, com proporções mundiais. Desde a Grécia antiga quando líderes queriam uma desculpa para entrar em guerra com seus vizinhos de fronteira usavam generalizações e preconceitos para levar seu povo às armas. Esse foi o caso das guerras Médicas, das Cruzadas, do imperialismo, segunda guerra mundial, divisão da Alemanha, guerra de Canudos…

Mas a noção de grupos também está presente em tempos de paz, e não serve mais apenas para justificar guerras. “Capitalistas” acham que “Comunistas” são preguiçosos e lunáticos, enquanto esses pensam que os “Burgueses” são exploradores sem coração; “Cristãos” acham que muçulmanos são os infieis, e vice versa; enquanto os “Ateus” pensam que “Teístas” são ignorantes, e são taxados de imorais em troca.

Mas é claro que as pessoas tem muito o que aprender com culturas e pensamentos diversos, ou se não for o caso, seria mais do que razoável não matar uns aos outros por causa disso. Me manifesto contra os -ismos! Abaixo o Comunismo, o Capitalismo, o Cristianismo, o Judaísmo, o Ateísmo, o Ativismo, o Conformismo… Mais pluralidade, mais tolerância, e menos ideologia.

setembro 18, 2010

AmEx

“uhh baby I feel right, the music sounds better with-”

- Alô?

Senhor Felipe Ramos?

- Sim…?

- Aqui é a Patrícia*, da sua rede de cartões de crédito, e nós estamos com suspeitas de que pode haver um problema com o seu cartão

- Hmm, ok. E qual seria?

- Há uma suspeita de clone do seu cartão de crédito senhor, você terá que destruí-lo, de forma que a tarja magnética esteja inutilizável. Um novo cartão já foi enviado ao senhor, e deverá chegar amanhã.

- Ok, sem problemas… Tem alguma compra com o cartão clonado?

- É isso que vamos descobrir. O senhor foi ao cinema no dia 31/8?

- Sim

- O senhor pagou uma conta no bar X dia 10/9?

- Sim

- O senhor pagou um corte de cabelo com seu cartão no dia 15/09?

- Sim

- Ok senhor, pelo jeito não foi feita nenhuma despesa estranha, mas mesmo assim será necessária a reposição do cartão. Mais alguma coisa?



Porra, até a rede de cartões de crédito acha estranho quando eu começo a sair com alguém…

* nome fictício

setembro 4, 2010

Pequeno update científico

Pode ser um pouco prepotente me encarregar de um “update científico”, mas encontrei informações interessantes, que achei dignas de se compartilhar.

Primeiro, físicos estudando a expansão do universo chegaram à conclusão inesperada de que o Universo está se expandindo cada vez mais rápido, ao invés de estar desacelerando sua expansão; o que significa que a teoria descrita no post A reação em cadeia dos universos estava incorreta! Uma pena. Mais nesse vídeo: Patricia Burchat sheds light on dark matter.

Segundo, o Lamarckismo foi confirmado! Pra quem quase sofreu um descolamento de retina lendo isso, deixe-me explicar: a descoberta de um subgrupo de neurônios motores, chamados de “neurônios espelho”, que disparam tanto quando uma pessoa realiza uma ação tanto quando ela vê uma outra pessoa realizando esta ação, como se o neurônio simulasse aquele ato in psique (Felipe Guimarães Rosa, prazer). Simulando as ações de outras pessoas nos permitiu desenvolver uma coisa chamada Cultura, além de ajudar a expansão do uso de ferramentas. Imagine um Inuit vendo outro matar um urso e tirando seu couro pra se proteger do frio, ao assistir à cena, ele irá aprender a se proteger do frio utilizando a pelagem densa do urso, em alguns minutos, enquanto o próprio urso demorou milhões de anos para fazê-lo. Mais em Vs Ramachandran: The neurons that shaped civilization.

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